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Cajá ou Cajá mirim
10 de setembro de 2008
O cajá é um pequeno fruto ovóide de cor amarelada e sabor levemente ácido, plantada e muito apreciada em todo o Norte e Nordeste do Brasil. Ela pode ser facilmente encontrada nas feiras livres e locais de vendas de frutas, principalmente no verão, onde é vendida por litro. Ocorre espontaneamente em condições silvestres competindo com outras espécies vegetais, ou em quintais, sítios e, até mesmo, na proteção e sombreamento do cacaueiro. Considerada de grande importância na recuperação de vegetação degradada, pela sua rusticidade, rapidez de crescimento e disseminação, e atração para a fauna em geral.
O reconhecido potencial econômico da cajazeira tem despertado o interesse de pesquisadores e produtores para essa fruta tropical em virtude das possibilidades de sua utilização frutos no preparo de sucos, doces, sorvetes e licores. Pode ser usada para fabricação de doces de corte e geléias pela sua cor atrativa e pelo seu teor adequado de acidez e pectina. Na indústria do sorvete, esta delícia pode ser encontrada o ano todo pelas praias e parques nos carrinhos das marcas nacionais.
Na maioria dos Estados do Nordeste é simplesmente conhecido por cajá, mas também recebe outros nomes populares: Taperibá, cajá-pequeno, cajá-mirim, acaja, acajaíba. Em espanhol é conhecida como ciruela amarilla; em inglês como Mexican-plum.
O cajá pertence a uma família onde estão incluídas outras espécies frutíferas como o umbu, a ciriguela, a cajarana ou cajá-manga e o umbu-cajazeira todas comuns na região Nordeste brasileira. A árvore tem altura variando entre 20-25m e o tronco é bastante ramificado, revestido por casca rugosa, com 50 cm diâmetro, em média. A madeira é leve, mole e fácil de trabalhar, mas de média durabilidade, sendo muito empregada na região Norte para a construção de pequenas embarcações.
Floresce a partir do final do mês de agosto junto com o surgimento da nova folhagem, prolongando-se até dezembro. A maturação dos frutos ocorre durante os meses de outubro-janeiro. O fruto é uma drupa, ovóide, de no máximo 6 centímetros de comprimento, de casca fina e lisa, amarela quando madura, polpa comestível, alaranjada, mole e com sabor agridoce. Possui uma única semente com 2,5 cm.
Sua coloração amarelada revela a presença de carotenóides, entre eles o beta caroteno que o organismo transforma em vitamina A. Esta vitamina lipossolúvel é responsável pelo bom funcionamento dos olhos e boa saúde da pele. Além disto, contém também vitamina C, associada ao fortalecimento da imunidade do corpo. O fruto apresenta bom teor de fibras e baixo valor calórico, sendo indicada para dietas hipoglicemiantes (diabéticos) e hipocalóricas (perda de peso).
Pelo fato de ser uma fruta silvestre existem poucos estudos e sua composição nutricional não está contemplada nas tabelas conceituadas de composição dos alimentos (UNICAMP, USP, IBGE, Alimentos Regionais/MS e Professor Guilherme Franco). Contudo tem características sensoriais muito semelhantes à cajarana, da mesma família frutífera, cuja composição serve como referência.
Tabela de composição da cajarana (100g)
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Nutriente |
Quantidade |
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Energia Kcal) |
46 |
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Proteínas (g) |
0,20 |
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Lipídios (g) |
010 |
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Glicídios (g) |
12,40 |
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Fibra (g) |
1,10 |
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Cálcio (mg) |
56 |
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Fósforo (mg) |
67 |
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Retinol (mcg) |
34 |
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Vitamina C (mg) |
36 |
Fonte: Tabela de Composição dos Alimentos IBGE
Ainda que exploradas de modo extrativista, plantios comerciais começam a ser estabelecidos, principalmente no Nordeste brasileiro. A existência de plantas, em condições naturais, apresentando caracteres intermediários entre algumas espécies indica a viabilidade de cruzamentos naturais. Geralmente a propagação dessas espécies é feita comumente pela semente. Apresenta boa germinação, apesar de um pouco demorada. Ainda não existe produção comercial de mudas.
Na medicina popular e indústria farmacêutica é crescente a utilização da cajazeira. Pio Corrêa, pesquisador na área de medicamentos populares, relata que a casca da cajazeira é aromática, adstringente e emética, ou seja, que provoca vômito. Ação anti-hemorroidária também é atribuída à raiz. No Brasil, as folhas são alimentos prediletos do bicho da seda. Recentemente descobriu-se que o extrato das folhas e dos ramos da cajazeira contém taninos com propriedades medicinais para o controle de bactérias.
RECEITAS
Coquetel amarelo
100mL de polpa de cajá
100mL de polpa de manga
50ml de polpa de maracujá
½ litro de água
½ litro de iogurte
Açúcar ou mel a gosto
Utilize as polpas congeladas, misture tudo no liquidificador e sirva.
Geléia de Cajá
½ litro de polpa de cajá (preferência fresca)
1 limão
1 maracujá
½ kg de açúcar demerara
Lave o maracujá, remova a polpa e use para suco. Corte a casca e leve para torrar no forno. Depois de seca, triture a casca no liquidificador. Leve ao fogo a polpa de cajá com o suco do limão e deixe ferver. Adicione o açúcar e a farinha do maracujá e mexa até dar ponto de geléia. Sirva com torradas ou como recheio de tortas.
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