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Fast-Food: A quebra da estrutura alimentar?

 

12 de agosto de 2008

 

Nos últimos 100 anos, a forma de se alimentar sofreu muitas mudanças e a alimentação contemporânea passou a apresentar padrões bem diferentes do que era há um século. Este processo se acentuou no período pós 2ª guerra mundial atingindo um grande número de pessoas, principalmente crianças e jovens que se identificam com a filosofia da nova tendência: fazer o que tem desejo a qualquer hora. Este processo ocorreu inicialmente nos países desenvolvidos, mas atualmente tem atingido todo o mundo, incluindo o Brasil.

 

Esta nova forma de alimentação foge dos padrões convencionais de espaço, tempo e lugar.  Segundo Carmen Silvia Moraes Rial, no passado, a alimentação estava condicionada às influências geográficas, temporais e simbólicas. Os avanços tecnológicos nos processos de produção e conservação dos alimentos forneceram condições para o rompimento destes limites.

 

O ato de alimentar-se marcava a jornada de trabalho, determinando momentos de interrupção ao mesmo tempo em que criava condições de sociabilidade que podiam ser cotidianas ou excepcionais, diferenciados pela quantidade e qualidade do alimento. Hoje estas limitações desapareceram. Come-se não apenas trabalhando, como também lendo, assistindo televisão, escrevendo. Come-se mais vezes, embora as pessoas não tenham real percepção deste fato, continuam acreditando que fazem três refeições ao dia.

 

O hábito de comer fast-food é visto pela antropologia como uma ocorrência alimentar não estruturada, primitiva, infantil, onde há “primazia do corpo sobre o espírito”. Do ponto de vista nutricional, esta forma de se alimentar cumpre a satisfação de um capricho momentâneo e consequentemente incompleto, rompendo o equilíbrio das leis da nutrição. Estas leis preconizam que a quantidade do alimento deve ser suficiente, a alimentação deve ser completa, oferecendo ao organismo as substâncias que o compõem, dentro de uma proporcionalidade e atendendo necessidades do organismo.

 

Na ocorrência alimentar estruturada existe uma associação de componentes, como arranjo de lugar, grupo de pessoas, horário, recipientes adequados, arrumação da mesa. No caso do fast-food, come-se em pequenas quantidades, a intervalos irregulares, produzindo uma errância alimentar, fortalecida pelo aumento do número de carrocinhas, quiosques, máquinas eletrônicas dispostas estrategicamente nos pontos de passagem de grande número de pessoas. O próprio consumo é feito sem o uso de talheres, com os dedos, sendo os alimentos triturados, pré-mastigados, ou em pequenos pedaços (pão sem crosta, carne moída, sem ossos).

 

Seria possível romper este processo? Ou seria melhor associar-se a ele? As grandes redes de fast-food constituem-se grandes investidores em marketing no mundo atual. Além disto ninguém pode negar que esta é a era da velocidade, na informática, no transporte, em tudo. Por outro lado, vive-se a busca da qualidade de vida, da prevenção de doenças, da manutenção da saúde. Por que não usar de forma positiva os benefícios da era da velocidade, usando mais tempo livre para conviver socialmente? O ideal seria tomar tempo para realizar as refeições, tornando-as mais do que simples momentos para ingestão de alimento.

 

 Como atingir este público que ao ser fisgado passa a ser cativo para vida inteira? Como demonstrar que este caminho o está conduzindo a uma redução na qualidade e até mesmo na quantidade de vida? É comum na sociedade moderna utilizar este tipo de alimentação como uma alternativa aos programas de passeio ou eventual necessidade devido ao reduzido tempo disponível. Esta escolha, porém não deve se tornar rotineira, transformando o comer fast-food num hábito normal.

 

Algumas redes de lanchonetes alternativas propõem alimentos que de fato apresentam qualidade superior, não apenas do ponto de vista higienico-sanitário, mas também da composição nutricional destas refeições rápidas. Esta é uma disputa no campo do marketing e das vendas, e além disto não compete a restaurantes a responsabilidade de educar. Os órgãos responsáveis pela saúde da população e a mídia podem alertar quanto aos riscos de ingerir rotineiramente estes alimentos, negligenciando outros de melhor qualidade.

 

A competência de educar, depois da família, é da escola. A educação alimentar é espaço reservado ao profissional nutricionista, onde ele pode atuar orientando a criança e o adolescente sobre o funcionamento de seu organismo, possíveis consequências do uso indiscriminado e abusivo de refrigerantes, alimentos refinados, frituras, edulcorantes, conservantes e salientar a importância da regularidade no horário das refeições, da presença de fibras e dos nutrientes essenciais na alimentação do ser humano em desenvolvimento.

 

Estudos mostram que os países ricos, onde a população está habituada a consumir o fast-food, sofrem com alto índice de cardiopatias, obesidade e doenças crônicas e degenerativas. O fator mais importante implicado é a alimentação, com elevado teor de gorduras e massas refinadas, além da falta de exercício. Algumas ações preventivas podem ajudar a mudar este quadro. Entre elas, temos:

 

1.       Usar alimentos integrais: cereais e raízes feculentas;

 

2.       Usar hortaliças cruas, variando suas cores, principalmente vegetais verdes e amarelos;

 

3.       Usar frutas, no mínimo duas vezes ao dia;

 

4.       Usar iogurte e laticínios integrais e desnatados;

 

5.       Usar óleos vegetais, com destaque para o azeite de oliva;

 

6.       Evitar café, frituras, carnes e embutidos;

 

7.       Fazer as refeições em horários regulares;

 

8.       Usar muita água e sucos nos intervalos das refeições;

 

9.       Comer devagar, mastigando bem os alimentos;

 

10.   Alimentar-se em ambiente tranqüilo.

 
Joseni França Oliveira Lima
 
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